TRILINGÜE ABC : GRAVURA ATUAL
No dia 15 de Fevereiro, às 19h00, será inaugurada, no Escritório de Arte Gravura Brasileira a exposição Trilingüe ABC - Gravura Atual, como parte de um projeto de intercâmbio entre Argentina, Brasil e Canadá. Na ocasião será lançado o álbum do projeto, com 12 gravuras originais dos artistas participantes, e o Programa de Palestras e Workshops.
Concebido e organizado pelos ateliês Zona Imaginária (Argentina), Atelier Piratininga (Brasil) e Presse Papier (Canadá), este projeto propiciará o contato com a produção artística dos países participantes interrelacionando suas realidades culturais. Foi agendada, para a edição brasileira, um programa de atividades que contará com palestras e workshops em instituições de ensino planejado para acontecer em três etapas distintas. A primeira edição do projeto Trilíngüe ocorreu na Argentina com uma exposição no Museo Municipal de Bellas Artes Genaro Perez, na cidade de Córdoba, durante o mês de novembro de 2000. A mostra integrou o programa de exposições da I Bienal Argentina de Gráfica Latinoamericana. Após a edição brasileira, o projeto Trilingüe segue para Trois-Rivières, em Quebéc, Canadá, em junho de 2001, onde serão realizadas palestras, workshops e uma exposição coletiva na Association Presse Papier.
Artistas Participantes
Alain Fleurent, Aline Beaudoin, Andrea Juan, Armando Sobral, Cecilia Mandrile, Cláudio Mubarac, Eliana Anghinah, Ernesto Bonato, Jean F. Boisvert, Lucrécia Urbano, Marco Buti Giorgia, Volpe Mylene Gervais.
Abertura: 15 de Fevereiro, às 19h00
Período: de 15 de Fevereiro a 10 de Março de 2001
Local: Escritório de Arte Gravura Brasileira
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1325.
Fone: 3064 8779, 3081.8484, 3081.3109
Álbum de Gravura Lançamento: dia 15 de fevereiro, às 20h00
Local: Escritório de Arte Gravura Brasileira
Palestras
-Gravura Contemporânea em Buenos Aires - Lucrécia Urbano e Andrea Juan
-A Experiência no Presse Papier - Alain Fleurent .
-O Atelier Piratininga - Ernesto Bonato, Armando Sobral e Eliana Anghinah
Local: Museu Lasar Segall - Ateliê de Gravura
R. Afonso Celso, 362 / 388, Vila Mariana.
Fone:5574-7322 dia 15 de Fevereiro, das 14h00 às 17h00-Gratuito
Workshops
- Processos Fotográficos na Gravura I: Placa de Fotopolimeros - Andrea Juan
14 de Fevereiro de 2001, das 14h00 ás 18h00
- Processos Fotográficos na Gravura II: Reston Film - Lucrécia Urbano
16 de Fevereiro de 2001, das 14h00 ás 18h00
Estas técnicas permitem a impressão em encavo (intaglio) ou em relevo, obtendo resultados iguais à água-forte e água-tinta, mas sem utilizar ácidos ou outros mordentes. A placa é fotossensível, o que permite ser revelada com luz solar ou ultravioleta (UV), sendo o tempo de preparo de só alguns minutos.
Local: Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) - Ateliê de gravura R. Alagoas, 903, Prédio 1. Fone: 3662 1662 Ramal 1115 Inscrições no local Gratuito
Coordenação e Realização no Brasil: Atelier Piratininga www.atelierpiratininga.com.br
Apoio: Canto Projetos e Construções, Buffet Petit Comité, Reticências Editoração Eletrônica, Air Canada, Cia. Suzano de Papel e Celulose, Gravura Brasileira |
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Andrea Juan
Proveniente da gráfica, a obra de Andrea Juan relata, na série Resgate, o trajeto de uma ambulância por territórios reais e fictícios. Um resgate que começou a muito tempo e ainda continua, sem limite de tempo. Parte desta série foi elaborada e exposta em Viena, com o apoio da UNESCO e do Kundeskanzleramt, da Austria. A variação de técnicas e as diferentes linguagens dão uma acabamento muito particular ao trabalho de Andrea. Assim , encontramos transfers, plotters, trabalhos no espaço, vídeo digital, fotografias e gravura não tóxica com placas de fotopolímeros, técnica que investigou e difundiu desde 1996.
Resgate. Água-forte em relevo e impressão digital, 20 x 20 cm. 2000. |
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Lucrecia Urbano
O múltiplo, o seriado, o clonado, a repetição e o único são características da gravura que sempre chamaram minha atenção. Encontro pontos de contato com o mundo contemporâneo, em sua intenção de massificar, globalizar e reproduzir realidades. As experiências e as buscas do homem repetem-se em um círculo cíclico, porém são sempre únicas e não se repetem no contexto em que se desenvolvem. A gráfica atual e a incorporação de novas tecnologias permitem-me registrar e explorar essa trajetória em um processo aberto como lugar de conhecimento. Desde 1996 tenho investigado técnicas de fotogravura não-tóxica como Silicone Intaglio, Riston Film, Lithopoliester. Me interessa a imediatez dos processos e tomar consciência da toxidade a que estamos expostos. A intervenção digital, a fotografia direta ou manipulada e a utilização da prensa calcográfica tradicional estão presentes em meu trabalho atual em uma série que chamo 'Da Idade Média- ao 2000'. Na realização da série 'Poção de Vanidades' utilizo fotografia direta de objetos seriados, frascos e intervenção digital na imagem impressa em chapa de Silicone Intaglio Photogravure.
Poção de Vaidades. Silicone Intaglio-collagraph, intervenção digital. 20 x 20 cm. 2000.
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Alain Fleurent
Contrariamente a campos fechados ou espaços privados, a visão crítica de Alain Fleurent se passa através do vídeo, da performance e da instalação através das quais a estampa se inscreve. Sua pesquisa age simultaneamente a vários níveis e o espectador encotra-se frequentemente implicado. Seu trabalho tem como interesse a degradação e a temporalidade. Ele coleta objetos, materiais que ele re-atualiza dentro de sua própria atualidade, que ele denomina 'arquiteturas temporais'. Ele é do tipo de categoria de artista para quem cada obra deve ser considerada como uma tomada de posição estrutural, arquitetural de um universo pessoal.
Suite Córdoba. Relevo, litografia, serigrafia. 20 x 20 cm. 2000. |
Ernesto Bonato
Tenho utilizado a gravura, nos últimos dez anos, como meio principal de expressão. A gravura, em madeira e em metal, veio, desde o início de meus trabalhos, corresponder a uma necessidade de entranhar o desenho em uma matéria mais firme, que resistisse mais ao gesto. Com ela, passei a colher visões do mundo: paisagens primeiro, depois corpos e objetos. Através de uma linguagem silenciosa, tenho procurado comunicar algo que habita o interior dos objetos, que se esconde por baixo de uma realidade aparente e que manifesta-se também em cada um de nós. As figuras gravadas nascem de uma contemplação interior e exterior. Para mim, a figura é coisa, é materialização da experiência contemplativa, é encarnação. A figura representa matéria sendo, ela própria, matéria. No entanto, ao gravar não se vê imediatamente o que se está produzindo, mas apenas um leve indício. As marcas na carne dura e rígida da matriz são, então, transportadas para o sudário fino e leve do papel, condensando ali sua experiência material em uma nova pele.
Sem título. Água-forte e xilogravura. 20 x 20 cm. 2000. |
Armando Sobral
A linha como elemento constitutivo da forma e a possibilidade de explorar qualidades intrínsecas aos processos de gravação acentuaram, com o tempo, meu interesse pela gravura em metal. O corte, a trama e a corrosão ressaltam e dão corpo e espessura à forma, impregnam-na de um sentido físico e potencializam suas relações internas. O desenho ganha em força e conceito na imagem impressa, pois, a linha é um gesto modelado em uma superfície, produto de uma forte energia de contacto. Os processos na gravura, longe de serem funções mecânicas, estão carregados de força e sentido. A memória e o lugar atuam decisivamente em minhas escolhas. Percorro constantemente este terreno residual da memória sem remeter-me a ele diretamente e tampouco descrevê-lo, são as sensações que subsistem e o desejo de revelar somente seus mistérios.
Praias. Ponta-seca. 19 x 19 cm. 2000. |
Eliana Anghinah
"Seu gesto espelha uma forma pura, natural e direta de preparar o papel. Os vegetais que servem de matéria prima são aproveitados integralmente, assegurando assim, que a 'vida' e a 'essência' das suas fibras sejam inteiramente conduzidas para o papel. Uma arte em sintonia com a natureza. É essa a sensação que me atinge. Nos trabalhos de Eliana há uma implícita coerência na idéia de que os vegetais que fornecem a matéria prima para os papéis provém da terra. Enfim, terra, flora e homem constituem um sistema cíclico. Na sua obra, este conceito se traduz na incorporação da terra ao papel. A intenção é registrar a 'vida da terra', porque, afinal, as plantas dela sugam a água para viver. Em outras ocasiões, as superfícies constituídas por terra e fibras projetam sombras revelando texturas. O acúmulo destes fragmentos, através de uma outra ótica, nos conduz a imaginar a 'fisionomia' infinita da terra. Este caráter se expressa em dimensões mais efetivas quando o desejo de criação de Eliana se sincroniza com a intenção cíclica da natureza". Arata Tani, Crítico de Arte.
Circulares. Papel feito à mão. 20 x 20 cm. 2000. |
Marco Buti
Quando ando pela rua, estou sempre em busca do meu trabalho. Passante, espero pela revelação da forma poética oculta pelo hábito, fitando a luz sempre diversa, a construção/destruição da cidade, os reflexos, o movimento das pessoas, as sombras, os espaços. As imagens que se apresentam, rigorosamente estruturadas, mas independentes de qualquer intenção, feitas e desfeitas a todo instante, que apenas existem num certo olhar. São soma de uma presença, um tempo, um espaço, um ponto de vista. Procurando outra rua, um portão entreaberto, uma exata incidência de luz, uma placa de trânsito fora de prumo, projetando uma sombra. As cores daquele fragmento de mundo parecem ter sido cuidadosamente escolhidas. Alguns minutos antes ou depois, um mínimo deslocamento da luz solar alteraria tudo, desfazendo a estrutura da imagem. Passando na calçada oposta, ela não se revelaria. Um quadro que jamais saberia imaginar. A qualquer momento, em qualquer lugar, em muitas cidades que são uma só: aquela criada por minha presença.
Sem título. Água tinta. 15 x 16 cm. 2000 |
Myléne Gervais
É importante para mim denunciar o horror de uma sociedade que prefere fechar os olhos para o genocídio dos seus semelhantes. Através da técnica da gravura, eu falo das atrocidades de hoje que recusamos admitir publicamente. Meu trabalho é um grito de cólera face à violência e à exploração das crianças. Trata-se de uma arte engajada que denuncia com força as situações injustas que nos são apresentadas a cada dia através das informações.
Sem título. Impressora jato-de-tinta e relevo seco. 20 x 20 cm. 2000. |
Aline Beaudoin
A dualidade e a complementaridade são os elementos condutores de minha iniciativa. Em minhas imagens atuais é um diálogo entre um objeto e uma representação abstrata e gestual, logo emotiva. Estes objetos (ninhos, barco, etc) são os testemunhos simbólicos de lugares provisórios reais ou imaginários. Eles evocam os lugares de passagem e de introspecção.
Jardim Secreto. Xilogravura e litografia. 20 x 20 cm. 2000. |
Giorgia Volpe
Desde que eu me sinto mais aqui, menos de passagem, eu tenho a impressão que transformei minha necessidade, de guardar traços do efêmero e do transitório da minha situação de estrangeira, em um desejo do concreto, de construir objetos e de habitar este lugar. Tenho colecionado e construido imagens que me despertem uma memória corporal, afetiva e sensorial, imagens que me revelem uma idéia de contato, uma intuição de transformação e de metamorfose. Eu me deixo conduzir por estas "trouvailles " até que algo me surpreenda. É este " algo " ao mesmo tempo familiar, íntimo e também estranho que eu gostaria de partilhar com o outro. Objetos e lugar podem parecer algumas vezes aparições e revelações.
Aparição. Água-tinta e imagon. 20 x 20cm. 2000. |
Cecilia Mandrile
Interessa-me o processo de construção, destruição, reconstrução que surge a partir das estratégias de sobrevivência do ser humano. A linguagem gráfica permite a docilidade tão necessária na superação das contradições e no desenvolvimento do "pensamento-colagem". Há dez anos trabalho em torno da gravura e da impressão digital aplicadas à objetos e instalações. São as técnicas de reprodução da imagem que me ajudam a resolver a permanente busca de sutilezas e intensidades nesta narração visual (que insiste na fragilidade humana e a conseqüente Divisão dos Paraísos). Este grupo de retratos guardados corresponde à idéia da série de Instalações Portáteis que venho desenvolvendo desde 1997. Devido a viagem que venho realizando nos últimos anos, estas obras resumem-se a uma mala que as carrega e permite sua instalação em diferentes entornos. O carater aparentemente lúdico de seu processo é mais precisamente reflexivo e construtivo. Cada reinstalação destes personagens "impressos" está condicionada pelo entorno e sua necessidade de readaptação, tentando sugerir que que nem a quietude da estampa deixa de reagir ante a paisagem. Quando a Beleza Dorme nos Olhos.
Impressão digital sobre papel. 20 x2 0 cm. 2000 |
Claudio Salvattore Mubarac
buril burin buril el buril instrumento fundador sobre el metal desnudo cette petite barre carrée en losange d'acier trempé este escopro abridor de vazios une joie viennent de l'ésprit par le coeur dans l'épaule droite assim como o olhar los buriles se afilam ancha o cerrada la incisión abre as reservas para os embalsamamentos. L'épreuve tente les figures elle est le diagramme el arte de estampar siempre antes de la letra uma irrigação de dois campos diferentes que produzem um só fruto. No existem documentos irrefutables acerca del origem de la estampa grabada sobre metal ni acerca de su fin. L'atelier sera plus vaste d'analogie e de métamorphose et moi hélas vou tentar através das figuras construir fac-símiles opacos e especulares do que se presenciou Sem título.
Buril. 20 x 20 cm. 2000. |
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