Exposição " Dalton Sala & Evandro Carlos Jardim "
Descritivo da Exposição : gravuras de 1963 a 2003 de Evandro Carlos Jardim e fotografias de 1992/2003 de Dalton Sala (ex aluno de Jardim) relacionando as diferentes linguagens e a proximidade das poéticas.
Inauguração : em 15/03/2003,
Período de exposição: 17 de março a 05/05/2003
Local: galeria Gravura Brasileira, rua Fradique Coutinho, 953, Vila Madalena
Telefones: 3097.0301 e 3097.9193
A proposta desta exposição nasceu da necessidade de recolocar algumas questões relativas ao fazer artístico e às relações deste fazer com o mercado de arte.
Como aluno de Evandro, em finais dos anos 70, percebi que a principal lição era seu próprio exemplo enquanto cidadão atuante, o que implicava em uma atitude crítica quanto ao sucesso fácil proposto pelo circuito institucional da cultura.
Dentro desta perspectiva, dediquei-me a pensar este fazer; e foi no terreno da história da arte que situei este pensar. Parecia-me que a única maneira de interpretar o presente era conhecer o passado e, portanto, a obra de arte surgia em outra função, história e documento construindo o espaço do momento presente.
A curadoria de exposições abria a possibilidade de realizar trabalhos simultaneamente críticos, históricos e sociais, abrindo espaços onde era possível apresentar reflexões (especulações) em forma plástica, matéria e desenho, documento e história, conjugando-se na realidade concreta.
Evidentemente, esta ação não esgotava as possibilidades poéticas do artista. Portanto, foi necessário voltar a Evandro: não mais como aluno, mas como historiador e curador interessado em investigar o processo do fazer.
Era um projeto antigo e que se realizou na Pinacoteca do Estado, em 1991: expor todo um processo de criação, do rabisco à gravura, e situar este processo no domínio do político. Evandro reconhece que a Balada da Cidade de São Paulo foi uma oportunidade que teve para rever e repensar com distanciamento seu próprio trabalho.
À época escrevi: "os registros de Evandro evidenciam um homem atento ao espaço em que vive; exercitando, paralelamente ao desenho, uma cidadania que busca a difícil conciliação entre a ética e a estética".
Mais de dez anos depois de haver sido seu aluno, esta exposição consolidou em amizade uma simpatia que já vinha daqueles primeiros tempos.
E os tempos mudaram e os ventos me levaram e fiquei dez anos fora, estudando e trabalhando em terras estrangeiras, período que chamo de meu exílio intelectual voluntário.
Mas, isto é uma outra história. Importa que, nestes tempos de odisséia, um dos poucos vínculos que mantive foi com Evandro, através de correspondência e de encontros quando passava pelo Brasil, normalmente em trânsito de um lugar para outro.
E os ventos me trouxeram de volta, junto com uma bagagem imensa que incluía as muitas fotografias que fiz, na intenção de documentar meus objetos de estudo.
No momento de organizar este material fotográfico comecei a perceber que as imagens tinham vida própria. Mais do que isso, as fotografias marcavam os pontos de meu percurso e o desenho de minha posição no mundo, não só como intelectual, mas também como cidadão, pois implicavam em uma reflexão histórica capaz de me situar no momento presente.
Percebi, claramente, a influência que Evandro havia exercido sobre mim, plástica, política e existencialmente. Senti também que o aluno já estava maduro, já podia falar com o mestre de igual para igual.
Por isso, sugeri (outros mais de dez anos depois...) que fizéssemos juntos uma exposição, mostrando a possibilidade de um diálogo plástico e as várias analogias entre nossos trabalhos. Evandro aceitou, entusiasmado. Eu exultei, agradecido.
Assim surgiu a proposta da presente exposição, onde se reafirmam algumas lições de Evandro: a técnica é o pressuposto do conhecimento, cabendo ao artista articular sensações e propor um conhecimento sensível através da técnica. Esta ação é poética e toda poética, por se fazer no mundo, é também uma prática política.
Paralelamente, afirmo que técnica não é malabarismo ou pirotecnia: apenas suporte necessário e suficiente para expressar uma articulação de sensações e propor um conhecimento sensível. Prefiro trabalhar com equipamento standard e laboratórios comerciais, evitando o artesanato minucioso e a alta tecnologia.
A intenção é captar a luz no próprio momento da iluminação, restaurando o impulso, a sensação e a vontade.
Não é a luz que modela o objeto, mas o objeto que modula a luz.
Neste registro do momento (momento que é único em toda a história deste universo), está expressa a relação entre o eu que observa e o cosmos. Colocar o espectador na posição do observador completa o circuito poético e sublinha a necessidade urgente destas iluminações.
Dalton Sala
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DaltonSala
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Evandro Carlos Frasca Poyares Jardim
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Santo Antônio de João Pessoa, 1998
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Figura, água forte e água tinta, 1972/1996, 25x16cm
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Panteon de Roma, 1997 |

17:30, água forte e água tinta, 1996, 26x16,5cm |

Alfama de Lisboa, 2000 |

Passagem ,água forte e água tinta, 1969, 24,5x18cm |

Terceira do Carmo de Salvador, 1987 |

Demanhã, xilo em metal, 1963, 24x29cm |

São Bento de São Luís do Maranhão, 1998 |

Vista da Torre, xilo em metal, 1963, 24x29cm |

São Bento de Olinda, 1996 |

Cadeira, metal, pa, 1976, 25x19cm
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Nome Dalton Pedro Sala Jr.
Data de nascimento 6 de maio de 1951
Nacionalidade brasileiro
Bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado, mestre em História da Arte e doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
Curador de exposições, seus principais trabalhos foram: Benedito Calixto: Memória Paulista, Balada da Cidade de São Paulo: gravuras de Evandro Carlos Jardim, Aleijadinho e Mestre Piranga (Pinacoteca do Estado de São Paulo), Robert C. Smith: a investigação na história da arte (4ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e Fundação Calouste Gulbenkian).
Historiador da arte, especialista em arte colonial luso-brasileira, além de inúmeros ensaios, publicou o livro Ensaios sobre Arte Colonial Luso-brasileira. Como pesquisador, realizou investigações no Brasil, na Argentina, no Paraguai, no Peru, nos Estados Unidos, em Portugal, na Espanha, na Itália, na Polônia, na Hungria e na República Tcheca.
Fotografo, participou das exposições: Arquitetura Colonial Brasileira (FUNARTE / São Paulo - Ministério da Educação e Cultura), Arquitetura Colonial Paulista (Casa da Baronesa - Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / Pró-Memória - Universidade Federal de Ouro Preto), Arquitetura e Sociedade: a Província Jesuítica do Paraguai (Museu da Cultura da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Arquitetura e Sociedade: a Província Jesuítica do Paraguai (Igreja de Santa Cruz - Universidade de Varsóvia).
Dirigiu o Arquivo de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa e o Arquivo de Arte da Fundação Bienal de São Paulo.
Colaborou com instituições como o Museu de Arte Sacra de São Paulo, Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural Maria Antônia da Universidade de São Paulo, Centro Cultural Mil Flores da Embaixada do Brasil em Lisboa, Serviço Social do Comércio, Museu de Arte de São Paulo, Instituto de Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto, Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Varsóvia, entre outras.
Atualmente é assessor da Secretaria de Cultura de Santana do Parnaíba e trabalha como consultor privado junto a coleções particulares.
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