Gravura Brasileira

Daniela Lorenzi e Helena Freddi

Daniela Lorenzi e Helena Freddi

De 9/11/2006 a 23/12/2006

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exposição Helena Freddi e Daniela Lorenzi

Sobrimpressos: memórias.
Gravuras de Helena Freddi


O trabalho apresentado nesta mostra é construído com as sobreposições de imagens impressas, resultantes ora de matrizes gravadas pela própria artista; ora por matrizes e estampas oriundas de outras gravações – como as folhas impressas de listas telefônicas, sacos de papéis e fotocópias que se tornaram matrizes. Nestas grandes gravuras–colagens, medindo110 cm X190 cm, imperam as escritas, nas quais significados sem significantes, evocam, pela estrutura mesma da imagem, memórias. Acompanhando as estampas, uma estreita prateleira acomoda 12 envelopes feitos de finos papéis impressos costurados que podem ser manipulados e recheados com outros papéis impressos disponibilizados em uma caixa, para que os visitantes possam também construir suas memórias partilhando coletivamente essas lembranças gravadas.

 
Planetario Tascabile
Gravuras e livros de artista de Daniela Lorenzi


Nesta mostra a artista italiana Daniela Lorenzi apresenta parte de um trabalho mais amplo de arquivamento sobre a ocupação de um lugar.  São reflexões gráficas sobre um espaço que, contendo coisas, pessoas ou atmosferas, existe enquanto tal.  Desta percepção sobre um espaço receptáculo surge o entendimento das mudanças dependendo da vivência do e no lugar. O lugar e a sua materialidade tornam-se funcionais, dependentes do que acontece e da vivência do outro.  E é a vivência deste espaço receptáculo que instiga a construção poética dos retratos gráficos e livros–caixas catalogadores da artista.

   
    CURRÍCULO
    HELENA FREDDI

   
    Nascida em São Paulo-SP, formou-se em Educação Artística - Licenciatura Plena pela FAAP, SP; pós-graduou-se em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP - SP em 1995 e doutorou-se em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes – (ECA – USP) em 2003. Nos anos de 1995 / 96 residiu em Milão onde desenvolveu trabalhos gráfico-poéticos no Atelier Quattordici.  Desde 1999 desenvolve atividades acadêmicas ligadas à pesquisa e estudo das técnicas e poéticas gráficas no ensino superior. Atualmente é docente e coordenadora do Curso de Bacharelado em Artes Visuais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.
   
    Exposições: 2006. Tempo Velado – Helena Freddi e Daniela Lorenzi; Graphias Casa da Gravura, São Paulo. 2005. Mostra 5 Artistas - Grandes Formatos – Museu de Arte Contemporânea, Curitiba; PR, Sesc Santo André, Santo André – SP e Sesc Vila Mariana, São Paulo; SP. 2004. Mostra 5 Artistas - Grandes Formatos – Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Ribeirão Preto; SP. Gráfica del Mercosur – argentina, brasil, paraguay, uruguay – Centro Cultural CajaGRANADA San Antón, sala A; Granada, Espanha. Sobre Gravura – mostra conjunta de gravuras sobre outros suportes - Galeria Gravura Brasileira, São Paulo; SP.  2003. Individual de gravuras; Galeria Gravura Brasileira, São Paulo, SP. A Gravura em Metal – sala especial Helena Freddi; Augusta 664 Escritório de Arte, São Paulo, SP. Espaço Gráfico: Arquitetura Poética – mostra de gravuras; Memorial da América Latina – Galeria Marta Traba, São Paulo, SP.  4°COLOUR IN GRAPHIC ART – Art Gallery Wozownia. Torun, Polônia – artista convidada 2002. INCISIONE – exposição de gravuras de Helena Freddi e Francisco Maringelli; Spazio Arte – Fara Gera d´Adda, Bergamo, Itália. 2002. “Small Graphic Forms Poland - Lódz ‘02”, Polônia. 2001. JOG, Recriação Artística de Jogos- Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ  e 1.ª Bienal de Gravuras de Santo André. Cartografias Poéticas: Mostra do álbum e de gravuras – Museu Almeida Moreira, Viseu, Portugal. 2000. Incisione Contemporanea: Milano - San Paolo - Venti Correnti, Milão, Itália 1999. SÃO PAULO GRAVURA HOJE, Mostra RIO GRAVURA, Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, RJ. 1999. 23rd International Biennial of Graphic Art, Ljubljana, Eslovênia. L`Arte e il Torchio 1a Rassegna Internazionale dell`incisione di piccolo formato - Cremona 1999, Itália. The 4th Kochi International Triennial Exhibition of Prints, Kochi, Japão.

CURRÍCULO
DANIELA LORENZI

(1969, Milão, Itália)
   
Natural de Milão, formou-se pelo Liceo Artistico I di Milano e em 1991 gradua-se em Pintura pela Accademia di Belle Arti di Brera de Milão. Desenvolveu entre os anos de 1995/96 a atividade de assistente voluntária junto a Cattedra d’Incisione na Accademia di Brera di Milano  e 1997/98 como professor assistente da disciplina de gravura na Accademia Aldo Galli de  Como.
De 1995 a 2005 dirigiu o "Atelier Quattordici", um espaço de produção de gravuras originais com artistas Italianos e estrangeiros, desenvolvendo, com eles, projetos de intercâmbio e pesquisa na área da gráfica artística. A partir de 1997 tem realizado mostras e projetos junto a artistas brasileiros.
Atualmente vive em São Paulo onde dirige o A14- atelier referência.

CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO
1986   Estágio sobre gravura em metal na Olands Graphiska Skola (Suécia).
1987   Estágio sobre gravura em metal na Olands Graphiska Skola (Suécia).
1989   Assistente convidada paro o Estágio sobre gravura em metal na Olands Graphiska Skola (Suécia)com bolsa de estudo da Svedensk Italienska Kulturstiftelsen e Fondazione Culturale Italo Svedese.

MOSTRAS COLETIVAS:
1986    Oland Graphiska Skola , Lottorp (Suécia).
1987    Oland Graphiska Skola , Borgholm (Suécia).).
1988    Olands , Centro Culturale , Gaggiano - Milão (Italia).
1991    Accademia Aperta , Accademia di Belle Arti di Brera, Milão (Itália).
1991    I Concorso Nazionale di Calcografia, Gorlago (Itália).
1991   M.SS del Monte , Racalmuto - Agrigento (Itália).
1992   Graphos , Palazzo Boselli , San Giovanni Bianco (Itália).
1993   Terra - Foglie – Cielo , Centro Comunale di San Donato Milanese – Milão (Itália).
1993   Concentrazione e dispersione dell’io nell’ astrattismo pittorico , Convento S. Maria di Castello -  Gênova (Itália).
1993    Pre - Visioni n. 4 , Circolo Culturale Bertolt Brecht , Milão (Itália).
1994    Brera a Venezia , Veneza (Itália).
1995    Quali Differenze , Galleria Arcadia Nuova , Milão (Itália).
1997    IV Biennale Intergraf Alpe Adria –Atelier Quattordici presenta : Lorenzi Daniela, Mascia Manunza e Massimo Petringa.
1997     Quali Differenze II, Mostra itinerante:- Castello di Sartirana, Pávia (Itália) - Galeria Eugerie Villien , Faculdade Santa Marcelina, São Paulo ( Brasil) -  Museu Metropolitano de Arte, Curitiba (Brasil).
1998    Meridiani – Meridianos , Galleria Derbylius , Milão (Itália).
1999    Quali Differenze 1999 , Sala Virgilio Carbonari – Comune di Seriate , Bergamo (Itália).
1999    São Paulo – Milano , Mostra itinerante: -  Centro Cultural Sao Paulo (Brazil).-  Muna ,  Museu Universitario de Arte , Uberlândia (Brasil).
2000    São Paulo – Milano  -   Galleria Venti Correnti , Milão (Itália).
2000     Meridiani – Meridianos , Centro Cultural São Paulo (Brasil).
2000     Exibition Sapporo International print Biennal – Selezione ,Sapporo (Japão).
2000    Graffi della mente , mostra multimediale , Reggio Calabria (Itália).
2000    Archivio 1 ,Olim –Officina Linguaggio Immagine, Bergamo (Itália).
2000    Grafreaks , Ambient Art Galler (Istituto di Cultura Italiano dei Paesi Bassi), Amsterdam (Holanda).
2000    " …con la cima verso il cielo " La Torre di Babele tra segno e forma , Cascina Roma Galleria d`Arte
           Contemporanea, S.Donato Milanese, Milão (Itália).
2001    Atelier Brembo – Galleria Vaprio D`Adda , Bergamo (Itália).
2001    JOG, Recriação Artística de Jogos- Museu Nacional de Belas Artes, Rio de  Janeiro (Brasil).
2001    Edizioni Atelier Quattordici – Grafica Upiglio 22250, Galeria Gravura Brasileria, São Paulo (Brasil).
2001    Edizioni Atelier Quattordici – Grafica Upiglio 22250, I Bienal de Gravura De Santo André, Sociedade
           Cultural Italo-Brasileira, (Brasil)
2001   Meridiani - Meridianos, Pinacoteca Benito Calixto – Santos, S.P. (Brasil).
2001   Edizione “20x20” Atelier Quattordici – Grafica Upiglio 22250, Centro Arte Contemp. Venti Correnti
           Milão, (Itália).
2002  Concorso Nazionale di calcografia - premio Nova Milanese, Milão, (Itália).
2003  Progetto ITÁLIA – CANADÁ: Istituto Culturale Italiano de Toronto -“Tempo rubato al movimento” Mascia Manunza e Lorenzi Daniela.
2005. Mostra 5 Artistas - Grandes Formatos – Museu de Arte Contemporânea, Curitiba; PR, Sesc Santo André, Santo André – SP e Sesc Vila Mariana, São Paulo; SP. 2004. Mostra 5 Artistas - Grandes Formatos – Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Ribeirão Preto; SP.
2006. Tempo Velado – Helena Freddi e Daniela Lorenzi; Graphias Casa da Gravura, São Paulo.

    OBRAS EM ACERVO PÚBLICO
- Fondazione per la Grafica d` Arte , Stezzano Bergamo (Itália).
- Premio Nazionale per la Grafica Citta` di Gorlago (Itália).
- Galleria Arcadia Nuova, Milano (Itália).
- Archivio Accademia di Belle arti di Brera (Itália).
- Fondazione Sartirana Arte, Sartirana Lomellina – Pavia (Itália).
- Centro Cultural São Paulo, São Paulo (Brasil).
- Muna, Museu Universitário de Arte , Uberlândia (Brasil).
- Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (Brasil).
- Collezione Comune di Seriate, Bergamo (Itália).
-  Collezione Sapporo Print Biennale (Japão).

 

Viagens de memória: os espaços gravados de Helena Freddi e Daniela Lorenzi
Marco Fragonara


Dois modos diversos, os de Helena Freddi e de Daniela Lorenzi, de enfrentar um único tema: aquele da memória.
Memória, compreendida como aquilo que permanece na alma, por Helena Freddi. Coincidência de vida vivida, recolhida em arquivo por Daniela Lorenzi.
Sobreposições de imagens gravadas, nas quais apresentam-se escritas sem significados, no trabalho de Helena Freddi.
Amplificações do significado de memória, reelaborado pelo disparo fotográfico, na obra de Lorenzi.
Escrita e fotografia como ponto de partida para estas duas artistas. Escrita como marca, símbolo e ação, que fazem da linguagem uma realidade declinada em situações concretas, um ato do corpo, sobre os quais se sobrepõem, nas gravuras de Freddi, fotocópias, listas telefônicas, que a escrita procura amalgamar, partindo de uma imagem, entendida como sinal evocativo da realidade em um êxito metafórico, onde o ícone mantém com o objeto, do qual é marca, um vínculo.
Fotografia como indício, na qual a existência passada do objeto, mas também a presente, compenetra a simples referência ao ícone, no trabalho de Lorenzi com um êxito metonímico, no qual cada figura representa uma parte do universo, mas também a compreende profundamente. “A fotografia – dizia Baudelaire; é capaz de conservar os objetos transitórios dignos de um lugar nos arquivos da nossa memória”. E a fotografia armazena o real, conservando-lhe os aspectos transitórios. Não por outro motivo Lorenzi, nas obras que antecedem aquelas aqui expostas, tem trabalhado de maneira peculiar sobre um seu particularíssimo arquivo fotográfico, depois reelaborado pela gravura, em relação à imagem, compreendida como vestígio evocativo da realidade. Ora, ainda que partindo da fotografia, utiliza-a de maneira diferente. De fato, “a imagem da fotografia – já foi dito; assemelha-se à luz das estrelas mais distantes, das quais a vida pode ter-se acabado a milênios, no momento em que nosso olho a observa”   E como acontece com a estrela, de quem luz que hoje observamos revela a presença certa e passada do astro, mas não a sua atual existência também certa, assim a fotografia evoca com força extraordinária a presença do representado, que é presença certa em algum passado, mas do qual a existência atual pode ser deduzida apenas por conjecturas.
Sobre uma outra vertente da memória apóia-se o trabalho de Helena Freddi. Neste caso, não se trata de arquivos que tendem a suplantar a lembrança, mas de imagens que se predisponham à leitura daquilo que já aconteceu. É um deixar-se guiar ao interno de uma lembrança já concretizada – diria Roland Barthes; onde constantemente aparece o casual e o inesperado que leva a um andar além, um além, que fique bem claro, também real. Neste caso, nas gravuras de Helena Freddi aparece mais evidente a conexão entre temporalidade e memória, e nesta última é definida propriamente na ordem da colocação temporal dos objetos remanescentes, aqui expressos pelo fio (fio de Arianna) que costura os envelopes de papel delicado, que podem ser manipulados e misturados com outros papéis gravados, de maneira que o visitante possa, ele mesmo, reconstruir as suas memórias. 
Tudo ao contrário dos arquivos contemporâneos, dos quais “ Planetario tascabile” (Planetário de bolso) de Lorenzi é apenas um exemplo. Nas obras de ambas as artistas permanece, no entanto, a idéia de labirinto. Em Lorenzi, um labirinto que constitui uma imagem do mundo, propensa identificar-se com o próprio mundo. Em Freddi uma memória transformada em marca e testemunho projetado em direção à recuperação do passado com vistas ao presente e ao futuro, no qual o labirinto equivale a uma regeneração.
Para compreender a diversidade de abordagem de êxito de Freddi e de Lorenzi, poderíamos recorrer à antiga distinção feita por Aristóteles a respeito da memória. O filósofo grego, de fato, falava de mnemé, vale dizer, da faculdade da conservação e de anémnesis, da recuperação do passado. E é nas gravuras da segunda que a memória advém como a única via possível de conhecimento interno permitindo o reconhecimento da centralidade humana e do próprio dever. Ao contrário, nas gravuras de Lorenzi, aparece um eu fragmentado, ainda que disponível à reconstrução de um quebra-cabeça de identidade, que encontra na memória-arquivo-conservação, expressa pelo acúmulo de sinais, a possibilidade de reconstruir um imaginário próprio, representando a si mesmo por meio da exteriorização de recordações individuais e sociais, nos quais documentos, imagens, objetos-lembranças asseguram o papel de depositários de memória, na tentativa de reapropriar-se da própria subjetividade.
Nas obras de ambas um modo contemporâneo de entender a memória, nas quais aparece concretamente a nostalgia da originária identidade, socialmente perdida, mas também o duplo destino do ser humano: aquele de prisioneiro ou de viajante vitorioso. Mas isto dependerá do caminho que se seguirá.



 

 


 


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