Gravura Brasileira

Corpos Cravados

Corpos Cravados

De 15/5/2001 a 6/6/2001

Obras

CORPOS CRAVADOS
Gravadoras incansáveis: Sandra Kaffka, Rosa Esteves e Cássia Gonçalves em ação.

 

        

Abertura: 15 de maio de 2001, terça-feira , 19hs.
Exposição: de 16 de maio a 6 de junho de 2001
Horário: segunda à sexta-feira das 10 às 18h, e sábado de 10 às 14h
Local: Gravura Brasileira à Al. Gabriel Monteiro da Silva,1325, Jd. Paulistano, São Paulo
    Sandra Kaffka

Permanece fiel à xilogravura, o veículo mais remoto de transposição de imagens. A superfície orgânica da madeira empregada cede à obra sua textura e peculiaridades como rastro de sua existência anterior. A artista resgata esta trama de nervuras que se tornam veias incorporadas ao volume das formas por ela criadas. Estas se apresentam em partes densas e fechadas em si como elementos abstratos-concretos, formando um corpo negro acompanhado de traços sutis que complementam e acentuam o seu todo. Como a criar um desequilíbrio necessário, surgem ainda fendas e cortes em seu contorno como em um processo de desmembramento de sua massa. Este é o ponto de partida para obras mais recentes em que as formas passam visivelmente por um processo de alongamento. O resultado remete a uma paisagem surrealista habitada por esparsas formas solitárias que se revezam no universo de claro e escuro trazendo leveza e descontração à composição.
    Rosa Esteves

Assume na série atual intitulada Deusas as marcas e demais insígnias conquistadas por sua pele ao usar o próprio corpo como matriz. Antes de se imaginar a obra finalizada, tem-se aqui que levar em consideração o processo de criação como um ritual, pois o gesto de se ornamentar através da pintura remete à necessidades extremas como de defesa ou até de acasalamento segundo códigos de conduta existentes em todas as culturas. Seu torso passa reconstruir monotipias singulares. Vermelho, preto e branco em tons e densidade variados delimitam a nova existência. Esta forma transposta ao papel, como consequência de uma performance, será ainda demarcada por ornamentos geométricos. O resultado pictórico em partes sobre fundo negro alude pelo jogo de transparências ao resultado de um raio-x, conduzindo o olhar do expectador a volumes, marcas e entranhas supostamente internos.
    Cássia Gonçalves

Apresenta nesta mostra as próprias matrizes de sua obra, que levam em sí a presença literalmente profunda da artista. O incansável gesto da ponta-seca cria a densa trama, resultante do gesto viciado da artista incorporado ao suporte translúcido utilizado - placas de acetato. Em seu trabalho predomina há muito tempo formas geométricas. Porém nesta série de 45 obras, a única forma geométrica em vigor é o quadrado do próprio suporte. A superfície incorpora uma camada também pictórica pelo uso da sanguínea, como a se desprender dos arranhões de sua crosta. O conjunto exposto lado a lado forma em sua composição um patchwork instigante pelas densas manchas vermelhas salientadas pelo brilho e transparência do material usado.


CORPOS CRAVADOS
Na produção contemporânea atual, percebe-se o distanciamento cada vez maior entre o artista e seu trabalho, o excesso de intermediários ou recursos de tecnologia avançada dominam o processo de produção. Independente desta tendência, ou assim dizer-se evolução, há também uma resistência latente respaldada no ato de fazer com as próprias mão. As artistas Sandra Kaffka, Rosa Esteves e Cássia Gonçalves são testemunhas não só desta perseverança, como também defensoras de uma das técnicas primordiais que se mantém independente de qualquer modismo: a gravura. A parceria não é inédita, pois expuseram juntas no ano passado na Casa do Brasil em Madri. A paixão pela técnica traz uma exposição do grupo para o escritório de arte Gravura Brasileira, reduto da produção da gravura nacional ressaltando sua amplitude e versatilidade. Apesar de unidas pela técnica, estas três artistas transpõem em suas obras uma parcela do infinito universo da gravura ao utilizarem matrizes e suportes distintos na produção artística. As obras expostas, produzidas independentemente de instrumentos arrojados, transmitem visivelmente no resultado artístico o sentimento e o gesto de suas criadoras.

Tereza de Arruda,
Historiadora e crítica de arte
Berlim, maio de 2001


Apoio:
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Reticências Editoração Eletrônica
 

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