|
São Paulo,
1955
Vive e trabalha em São Paulo.
Formada em artes plásticas pela FAAP, São Paulo em 1976. De 1977
a 1978 cursa pós-graduação em gravura na Slade School of Fine Arts-
University College London, Inglaterra, com orientação de Bartolomeu
dos Santos. Atualmente é mestranda do curso de pós-graduação na
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com
orientação de Evandro Carlos Jardim. Orienta cursos livres de desenho
em atelier próprio.
Entre as exposições coletivas destacam-se :
Gravura Jovem, MAC-USP, 1981; IX Bienal Internacional Valparaíso,
Chile, 1989; II Bienal de Gravura de Amadora, Portugal, 1990; Contemporary
Brazilian Prints, Haggar University Gallery, University of Dallas,
Texas, USA, 1997; Brazilian Prints, Portland Art Museum, Oregon,
USA, 1997; Brasil - Reflexão 97, A Arte Contemporânea da Gravura,
Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, Paraná, 1997; The 4th Sapporo
International Print Biennale, Japão, 1998; São Paulo Gravura Hoje
- Mostra Rio Gravura -Funarte, Rio de Janeiro, Brasil, 1999; 3rd
Egyptian International Print Triennale - National Centre of Fine
Arts - Giza, Egito, 2000;International Print Triennial in Kanagawa,
2001, Japão.
Exposições Individuais:
Contos Portugueses- Gravuras, Museu da Gravura Cidade de Curitiba,
Paraná, 1994; Axis Mundi, Valu Oria Galeria de Arte, São Paulo,
1996; Do Firmamento, Valu Oria Galeria de Arte, São Paulo, 1999.
Obras em acervos:
Instituto Itaú Cultural, São Paulo; Museu de Arte Contemporânea
da Universidade de São Paulo; Museu da Gravura Cidade de Curitiba,
Paraná; Portland Art Museum, Oregon, USA; Sapporo International
Print Biennale, Japão; National Centre of Fine Arts, Giza, Egito.
Da Surpresa: Jacqueline Aronis
A técnica da gravura em metal é, possivelmente, avessa ao efeito-surpresa.
Resultado de uma cuidadosa incisão, de um gesto necessariamente
controlado, pressupõe um tempo específico, que a diferencia no contexto
da cultura atual, cada vez mais afeita a uma proliferação imagética
indiscriminada, avassaladora. O tempo da gravura em metal parece
insurgir-se contra tal fenômeno, e contra a sua aceitação como regra,
no que, diga-se de passagem, a posiciona num lugar de resistência
cultural, lugar esse não dessemelhante ao da poesia no âmbito da
palavra impressa, também atualmente submetido ao mesmo crescendo
banalizador. A imagem produzida por este tempo nessa técnica, hoje,
vem imantada por uma sensibilidade visual outra, que aponta tanto
à desaleração da fruição quanto reitera a unicidade do objeto assim
produzido.
Jacqueline Aronis considera tais noções quando nos propõe, na presente
mostra, o diálogo entre duas famílias de imagens de forte peso individual,
e de ressonância por assim dizer arquetípica: o coração e o cosmos.
Detenhamo-nos um pouco aqui. A bem dizer, uma e outra representam
extremos: a máxima interioridade e a exterioridade máxima, o centro
do humano demasiado humano e o sideral berço de sua dissolução,
o recôndito e o inalcançável supinos. Focos de absolutos, de alguma
maneira são irrepresentáveis em suas respectivas totalidades, não
devido a alguma interdição, como no caso do nome do Criador para
algumas religiões, mas apenas pela instância da sua magnitude simbólica
- real - e da sua infinita capacidade de fazer ecoar na mente a
condição da sua própria fragilidade, assim como o regalo da aventura
vital.
Pois bem, Aronis joga com tal dificuldade, estabelecendo nexos entre
essas imagens paradigmáticas. Sem trilhar um nível narrativo anedótico,
antes disso, trabalha naquele espaço próprio da modernidade, cifrado
há tantos anos por Baudelaire, de levantamento das "correspondências"
entre signos dissímeis, e que inseminou a tradição de tão bons frutos
discursivos e semânticos. Isso permite-lhe gerar um vocabulário
visual da ordem do surpreendente. Sua operação - sua aproximação
- parece revestir-se de um motto circular, bimembre e baseado numa
dupla equivalência:
Constelar o coração, cordializar o cosmos.
Sem o recurso incidentalmente redutor da deriva mística, o que presenciamos
são, por assim dizer, os portulanos de uma "viagem astral", tanto
mais interessantes quanto menos a obviam. E isso, por qual razão?
Há algo de eloqüente nestas gravuras que não dissecam, e sequer,
lato senso, analisam. Tão somente, e programaticamente, vêem. Para
lá do sonho e da vigília, são estranhamente reais. Aqui vale recordar
que o verbo "constelar" assume um viés diferencial, se tomado pelo
prisma da teoria jungiana, que o torna índice do crescimento psíquico.
Portulanos, claves de navegação, imagens resgatadas em sua sabidamente
irrepresentável categorização. Aí as temos, (ir)resgatadas e, inda
assim, íntegras em sua relação (in)conciliável.
Eloqüentes devido ao mínimo maximizador da linguagem da gravura
em metal, certo, mas antes de mais nada surpresivas, como imagens-nexos.
Pulsares, pulsações, palavras.
Emissões, falares.
Coração-galáxia?
E dentro da caixa toráxica, galáxia-coração?
Surpresas.
Horácio Costa, São Paulo, setembro de 2001.
e-mail: jaronis@uol.com.br
página no acervo: Jacqueline
Aronis
Organização
: Gravura Brasileira gravurabrasileira@uol.combr
|